Relatório do curso de Arborização Urbana de Pinheiros

GT Arborização e Agricultura Urbana, agosto de 2014

Abaixo, trechos do relatório sobre o Curso de Arborização Urbana, que aconteceu na Subprefeitura de Pinheiros, em maio de 2014.

 Baixe o relatório completo aqui.

Repercussão e público

O curso gerou uma repercussão maior do que a esperada. Durante a fase de divulgação, a página do curso na Internet teve mais de mil acessos, o que indica um grande interesse pelo assunto.Nos três dias de curso somaram-se 160 participantes, coma presença de pessoas vindas de  São Sebastião, Jundiaí, Sorocaba, Valinhos, Campinas e Vinhedo. Um vereador de Valinhos solicitou que o curso fosse replicado em sua cidade.

Criamos um mailing com todos os participantes e interessados pelo curso para manter o contato e criar outras ações, e convidamos todos a participarem do grupo de discussão que já existia no Facebook sobre o assunto:<www.facebook.com/groups/arborizabrasil>.

 

Resultados alcançados

O curso propiciou a difusão do conhecimento sobre árvores na cidade, desde a sua importância até a legislação municipal, estadual e federal que regulamenta o plantio e a manutenção das árvores urbanas.Todo o material apresentado e indicado pelos palestrantes foi disponibilizado em um site na Internet para acesso permanente de qualquer cidadão. O material se encontra no endereço: <https://pt.wikiversity.org/wiki/Arboriza%C3%A7%C3%A3o_Urbana> e conta com as seguintes informações:

  1. O que é Arborização Urbana
  2. Benefícios ambientais, para a cidade e para a saúde
  3. O que plantar e o que não plantar
  4. Poda
  5. Cartilhas
  6. O que os cidadãos podem fazer
  7. Legislação e Políticas Públicas
  8. Bons exemplos nacionais e internacionais
  9. Últimas notícias
  10. Referências
  11. Congresso Brasileiro de Arborização Urbana

 

Todo o material levantado e organizado servirá como subsídio para o trabalho do CADES-PI e de outras pessoas interessadas com relação a melhoria da arborização da cidade, permitindo que possamos fazer uma melhor fiscalização, pensar em mudanças de regras e em campanhas de incentivo ao plantio, com base na legislação.

Problemas observados na caminhada técnica

A visita foi guiada pelos engenheiros da SVMA Márcio Yamamoto e André de Jesus Ferreira e seguiu o seguinte percurso: Praça dos Omaguás, Av. Pedroso de Morais, Rua Padre Garcia Velho, Rua Cunha Gago, Avenida Brigadeiro Faria Lima (canteiro central, junto à ciclovia), Praça das Araucárias.

No trajeto, os engenheiros mostraram como as árvores estavam plantadas, se em lugares adequados ou não, como estavam sendo tratadas e problemas de manutenção.

 

Foto 1: Canteiro central da Av. Pedroso de Morais próximo à FNAC / Foto 2: Canteiro central da Av. Faria Lima próximo ao nº 350 Pau-ferro(foto 1) anelado, com risco de vida. Sofreu do chamado “mal do jardineiro”, em razão da falta de cuidado durante a manutenção da grama. Jabuticabeira (foto 2) condenada pela mesma razão.

No canteiro central da Av. Faria Lima entre a Rua Coropés e a Rua Chopin Tavares de Lima praticamente todas as árvores estão parcialmente aneladas pela fricção de cortadores de grama.

  1. Faria Lima, canteiro central, junto à ciclovia.
Árvore com risco iminente de queda, pondo em risco a população.

 

Árvore que foi indevidamente amarrada à estaca com arame, necessitando de socorro urgente.
  1. Faria Lima, canteiro central, junto à ciclovia.
Lixo e descaso na manutenção.
Calçada da Av. Faria Lima próximo à Rua Coropé (ao lado da Paróquia Anglicana de São João) Bom uso do gradeado para proteger o canteiro e garantir infiltração de água.

No entanto, a falta de manutenção está colocando em risco as árvores pela compressão do tronco. Na foto 1 pode-se observar que as barras de ferro já penetraram no caule.

Rua Cunha Gago entre nºs 864 B e 862 Espaço permeável insuficiente.
Calçada da esquina da Rua Cunha Gago com Rua Coropé (em frente ao Restaurante Gracias)

Praça dos Omaguás
Fotos 1 e 2: Holofotes e amplificadores de som foram pendurados na árvore. Espaço permeável insuficiente.

Foto 3: Colocação de holofote em árvore da Praça dos Omaguás.

  1. Faria Lima, canteiro central, junto à ciclovia.
Poda muito rente ao caule.
  1. Faria Lima, canteiro central, junto à ciclovia.
Lesão no caule, facilitando a entrada de cupins e fungos

 

 

Lesão e arame no caule.
Rua Cunha Gago em frente ao nº 798 Estacionamentos com mais de 100m2 de área e nenhuma árvore. De acordo com a Lei nº 13.319, de 5 de fevereiro de 2002,  regulamentada pelo decreto 44.419/2004, deveria ter uma árvore a cada 40m2.

 

Calçadas inteiramente rebaixadas impedindo a arborização urbana e em desacordo com o DECRETO Nº 45.904, DE 19 DE MAIO DE 2005 / LEI Nº 11.228, DE 25 DE JUNHO DE 1992

Rua Cunha Gago Estacas colocadas junto ao caule das árvores devem ser  removidas urgentemente.

Na foto 2, o espaço permeável é insuficiente e o degrau desaconselhado, pois atrapalha  o desenvolvimento das raízes.

Rua Pedroso de Moraes em frente à Praça dos Omaguás Espécie inadequada ou mal manejada. Necessidade de manutenção urgente.
Rua Sumidouro, próximo a avenida Faria Lima Canteiros sem árvore.
Praça das Araucárias, Largo da Batata Falta de cuidado com as árvores plantadas na praça, que estão morrendo por falta de água e manutenção básica.

Plantio de mais de 40 mudas por cidadãos anônimos,que cometeram diversos erros:
– Mudas muito pequenas, com DPA de menos de 3 e altura de menos de 1,80;
– Espaçamento insuficiente;
– Espécies inadequadas;
– Berço (ou cova) muito pequeno.

 

Encontramos apenas um bom exemplo.

  1. Padre Garcia Velho em frente ao Restaurante Tartar & Co
Canteiro bem feito e adequado para a árvore: é grande, oferece espaço para as raízes e é coberto com grama amendoim, uma das melhores forrações, por ser uma leguminosa, que ajuda a fixar nutrientes no solo, além de exigir pouca manutenção. Boa proteção para a base do caule.

 

Recomendações

Diante da enorme quantidade de problemas graves encontrados num pequeno percurso, percebemos que as árvores da região estão muito comprometidas e diversos crimes ambientais são cometidos cotidianamente, inclusive pelas equipes contratadas pela prefeitura para a manutenção de canteiros e calçadas. Por essa razão, recomendamos fortemente:

  • A realização imediata de atividades de capacitação para as equipes contratadas pela prefeitura que realizam a manutenção das áreas verdes e o manejo de árvores.
    1. É preciso estancar imediatamente os danos causados pelo “mal de jardineiro”, podas inadequadas e sufocamento de raízes.
    2. É preciso que as equipes comuniquem melhor seu trabalho aos cidadãos, especialmente ao fazer intervenções nas calçadas nas frentes de residências.

 

  • A criação de um Programa Permanente e Participativo de Fiscalização Arbórea em toda a região, com o envolvimento da sociedade civil, que ao final de um período (que pode se estender por vários anos, se necessário), todas as árvores de todas as ruas tenham sido vistoriadas.

 

  • Adoção de medidas de educação ambiental incentivando plantio e preservação de árvores em escolas, UBSs etc.

 

  • A aplicação da Lei Nº 14.186, DE 4 DE JULHO DE 2006, que institui o Programa Municipal de Arborização Urbana, especialmente no que se refere a:
    1. Implantar um banco de dados que possibilite cadastrar todos os dados e estatísticas referentes às árvores urbanas e áreas verdes urbanas localizadas no âmbito da Subprefeitura, com o objetivo de conhecer o patrimônio de áreas verdes qualitativamente e quantitativamente;
    2. Programa de metas para aumentar a massa arbórea da cidade;
    3. Incentivar iniciativas voluntárias individuais e coletivas de plantios em bairros, ruas, áreas de recreação, adensamento vegetal e reflorestamentos;
    4. Incentivar a formação de grupos organizados de preservação e conservação da vegetação e manutenção de áreas de recreação e parques municipais.

Relatório – Curso de Arborização Urbana 2014 em PDF

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